querida mãezinha Nilma.
Estou emocionado, e temo não conseguir sustentar a caneta de maneira a pôr no papel as notícias minhas que você tem aguardado com tanta ansiedade.
Saiba que não é fácil mãe, para nós deste lado da mesa... Confesso que a vontade que temos quando nos entregam a caneta é de largar a caneta, correr para os braços de nossos pais, e se pudéssemos nos fazer presentes (visíveis) no salão, gritaríamos com todas as forças dos nossos pulmões: “EU ESTOU VIVO, NÃO MORRI!”.
Eu os amo. Pelo amor de Deus, levantem-se, voltem a viver, ninguém morre!
Mãe, se não fosse a presença dos avós que estão aqui, eu não sei como iria me virar.
A vovó Santinha¹, a vovó Marina e o vovô Armênio estão me acompanhando neste instante tão difícil.
Sabe mãe, fico imaginando a dor do papai Donato quando pensa no sucedido que nos envolveu. Foi inexperiência minha, nossa, é como a senhora sabe... Meu velho pai, tomado de curiosidade, começou a examinar a arma que eu havia trazido na hora do almoço, e de repente o projétil foi deflagrado, me atingindo a cabeça, e o resto a senhora já sabe; os gritos de desespero, as tuas lágrimas e as de meu pai, a tentativa de me pedirem qualquer reação, a demora do socorro, a agonia que aumentava..., tudo foi tão triste e lamento também certos comentários que meu pai escutou.
Não gostei! Ele não teve culpa de nada, e ninguém precisa repreender meu velho. Já basta a dor do remorso e a presença permanente do acontecido.
Eu sei que a senhora e meu pai, com extrema dificuldade têm procurado reagir, mas agora, pelo amor de Deus, vamos pôr alegria em casa.
Quero paz em seus corações, e no meu também.
Eu não morri. Transfira esta certeza ao coração do meu pai que tanto amo.
A vovó Santa é mesmo uma Santa, e é ela e meus outros avós que têm feito com que eu supere as lutas difíceis.
Outro familiar nosso que me recebeu de braços abertos é a bondosa Joana.
Devo terminar mãe.
Receba meu coração como prova do meu amor, e dê o meu abraço de VIVO ao meu pai, tão morto para as alegrias da alma.
Beijos minha mãe.
Foi difícil, mas cheguei ao final desta carta.
Bruno Aquilante.
MENSAGEM PSICOGRAFADA PELO MÉDIUM ALAOR BORGES, NO CENTRO ESPÍRITA MARIA DOLORES, NO DIA 28/11/2009, NO CENTRO ESPÍRITA MARIA DOLORES, NO BAIRRO DA MOOCA - SP.
2ª Psicografia do Bruno Aquilante
Perdoa meu pai pelas acusações que lhe lançaram no rosto, pelas humilhações que o fizeram passar. Lamento por tudo, no entanto, não me imaginei em sofrimento ou na condição de um espírito suicida. Nunca tive este objetivo, foi empolgação de rapaz.
2ª Psicografia do Bruno Aquilante
Mamãe Nilma, sou eu mãe!
Abra os braços para receber seu filho nesta tarde de reencontros. Não está sendo fácil dominar a emoção para lhe entregar este ditado, mas o vovô Armênio me auxilia junto aos benfeitores amigos. Não é fácil conter as emoções minha mãe...
Nunca imaginei estar escrevendo para a senhora desta forma emprestada, que não sendo com as minhas mãos, registrando os meus pensamentos e emoções, e favorecendo o nosso entendimento através das linhas que se seguirão.
Mãe, perdoa o que causei a todos por imprudência. O espírito de jovem dado as emoções falou alto mãe, e quando de pose daquele revolver ao lado da galera, resolvemos dar uns pipocos para ver quem tinha coragem, e assim fizemos a festa e disparamos cinco vezes; se a cabeça que deseja tanto esquecer para viver melhor não me falha...
Recordo da alegria dos colegas e do sinal de respeito que mostravam por mim. Entusiasmado fui mostrar ao papai a arma que para mim estava descarregada, e aproveitei a hora do almoço, afinal, o apetite do papai o impediriam de me dar broncas naquele momento, e insisti para que ele tocasse a arma. Lembra mãe? O papai meio desconcentrado, avisado por mim que a arma estava vazia acionou o gatilho, que por fatalidade acertou-me em cheio, já que eu, curioso e entusiasmado, estava tão próximo. O resto é como sabemos... O socorro acionado e o filho aos poucos se desprende do corpo, enlutando nosso lar outrora tão feliz.
Peço perdão à senhora mãe, pelas lágrimas que a fiz derramar. Justo a senhora que sempre foi a rainha do nosso lar, cercando-nos de toda atenção e carinho.
Pai me perdoa por tudo. Sei que meu irmão Donato, nosso Junior, e o Neto, meu sobrinho Donatinho ficaram tristes, especialmente o Donatinho ao saber do acontecimento daquela fatalidade que, de certa forma, marcou nossas vidas, embora ele fosse ainda um garoto.
Agradeço mãe pelo seu carinho, e por não deixar faltar flores em minha sepultura, mas não desejo vê-la triste nessa ocasião, embora eu não esteja ali. Gostaria que estas flores continuassem no jardim ou enfeitassem os momentos felizes de alguém, porque eu, em espírito, colho todas elas no jardim do seu coração.
Agradeço a tia Irene pelas preces de sempre, a cunhada Alessandra pelo carinho de sempre. Devo-lhes dizer que fui imprudente, mas Deus, que nunca foi pobre de misericórdia, e não deixou de me assistir quando aqui cheguei, e não deixará de lhes fortalecer neste momento.
Perdoa se preciso encerrar este ditado, já que as lágrimas escorrem pelo meu rosto. Sei que ficarão bem, e juntos haverão de tudo superar.
Beijando o seu coração mãe querida, agradeço por vir em busca de minhas pobres linhas.
Que o seu coração me abençoe pai. Pai preciso de sua força.
Beijando o coração de meu irmão, sobrinho e cunhada, envio a todos o carinho da vovó Marina.
Do seu filho, reaprendendo a prudência por aqui...
Do sempre seu,
Bruno Aquilante.
MENSAGEM PSICOGRAFADA PELO MÉDIUM ROGÉRIO HENRIQUE LEITE, NA TARDE DO DIA 12 DE SETEMBRO DE 2010, NA CIDADE DE LORENA.
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